Free-Paper: Design e Ética

Resumo:

O designer lida diariamente com questões éticas que envolvem a sua condição e, consequentemente, a população que pretende servir, por norma, da melhor forma possível.
Dada a conjuntura actual: a globalização, a ecologia e a sustentabilidade, entre outros factores, condicionam a acção e identidade dos designers enquanto profissionais.
A ética é considerada a ciência normativa primordial (WUNDT, 2000:206) e a estética apresenta- se como a teoria da arte e das condições do belo. Os dois conceitos são relevantes na concepção de objectos, permanecendo uma discussão em torno da sua importância específica.
Os códigos de ética regulamentam o trabalho dos designers e a relação com os seus clientes que se constatam cada vez mais conscientes da importância de causas sociais.
O artigo pretende ser uma reflexão sobre as questões éticas relacionadas com o panorama actual, ou seja, os desafios que o designer enfrenta.
Palavras-chave: Ética; Sustentabilidade; Ecologia; Profissão; Estética.

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Abstract 2# “Problemas éticos no Design”

Como nas mais variadas áreas, o design (e o seu profissional) lidam diariamente com questões éticas que envolvem a sua condição, e consequentemente, a população que pretende servir, por norma, da melhor forma possível.
Dada a conjuntura actual: a oferta standart de inúmeros serviços, a globalização, a ecologia e a sustentabilidade, entre outros factores, condicionam a acção e identidade enquanto profissionais. Para além da concorrência de ferramentas ao dispor de qualquer cidadão comum, necessita de possuir um conhecimento eclético para responder às exigências de mercado, pondo em questão, alguns aspectos éticos apesar da existência de inúmeros protocolos pré-existentes a que deve obedecer.
O  Free Paper a desenvolver pretende ser uma reflexão sobre as questões éticas relacionadas com o panorama actual e os desafios que o designer terá que enfrentar.

Abstract- “Ética e Retórica na publicidade/propaganda”

Por Margarida Lopes e Margarida Paccetti
A retórica está presente na propaganda em várias dimensões, caracterizando-se pela existência de um exercício estruturalmente apelativo: que motive o utilizador a algo. De facto, é possível constatar marcas não racionais (o ethos e o pathos). No caso do ethos, refere-se a casos ligados à emotividade, remetendo para o domínio do orador, quando este remete para o destinatário relacionase com o pathos. No mesmo território, o ethos pertence á definição de ética sendo possível constatar uma relação semântica entre as palavras. Dirige-se ao consumidor, na medida em que pretende resguardar a sua posição numa área onde o lucro e a persuasão são imperativos, existindo normas e códigos (código do consumidor) que visam cumprir esta função. O próprio modelo padrão da publicidade pretende conseguir atrair o desejo humano para si, para os produtos que deseja vender. Assim, o presente trabalho pretende desenvolver o tema da ética e retórica numa dimensão ligada à propaganda no contexto actual, utilizando exemplos pertinentes para a compreensão desta análise.

Pesquisa: Sub-conceitos

DESIGN/DESIGNER
Sustainable Design: https://en.wikipedia.org/wiki/Sustainable_design
Critical Design: http://www.dunneandraby.co.uk/content/bydandr/13/0
“Critical design uses designed artifacts as an embodied critique or commentary on existing values, morals, and practices in a culture.” (font: https://en.wikipedia.org/wiki/Design)
“We propose a reversal of priorities in favor of more useful, lasting and democratic forms of communication – a mindshift away from product marketing and toward the exploration and production of a new kind of meaning. The scope of debate is shrinking; it must expand. Consumerism is running uncontested; it must be challenged by other perspectives expressed, in part, through the visual languages and resources of design.” (font: First Things First 2000 a design manifesto. manifesto published jointly by 33 signatories in: Adbusters, the AIGA journal, Blueprint, Emigre, Eye, Form, Items fall 1999/spring 2000)
“Engineers are not the only professional designers. Everyone designs who devises courses of action aimed at changing existing situations into preferred ones. The intellectual activity that produces material artifacts is no different fundamentally from the one that prescribes remedies for a sick patient or the one that devises a new sales plan for a company or a social welfare policy for a state. Design, so construed, is the core of all professional training; it is the principal mark that distinguishes the professions from the sciences. Schools of engineering, as well as schools of architecture, business, education, law, and medicine, are all centrally concerned with the process of design.” (font: Simon, H.A. The sciences of the artificial, MIT Press, Cambridge, MA, USA, 1996)
ECOLOGIA
A Ecologia é a ciência que estuda o meio ambiente e os seres vivos que vivem nele,ou seja, é o estudo científico da distribuição e abundância dos seres vivos e das interações que determinam a sua distribuição. As interações podem ser entre seres vivos e/ou com o meio ambiente. A palavra tem origem no grego “oikos”, que significa casa, e “logos”, estudo. Logo, por extensão seria o estudo da casa, ou, de forma mais genérica, do lugar onde se vive. O cientista alemão Ernest Haeckel usou pela primeira vez este termo em 1869 para designar o estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem.
Definições:
“The entire science of the relations of the organism to the surrounding exterior world, to which relations we can count in the broader sense all the conditions of existence. These are partly of organic, partly of inorganic nature.” ; “House hold of nature” HAECKEL, 1866
“The study of the relations between animals and their environment, both animate and inanimate.” KING and RUSSELL, 1909
“The science of interrelationships of organisms and their environment.” EGGLETON, 1939 “Ecology is scientific natural history.” ELTON, 1927
Ecological Design:
“Any form of design that minimizes environmentally destructive impacts by integrating itself with living processes.” VAN DER RYN and COWAN, 2007
Fig. 1) Ecological Design, Paperbag (Esq.) e Tennisball Bench, published by teNeues, http://www.teneues.com, Photo © courtesy of Goods
Referências:
• Wikipédia (2015) Ecologia <URL: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ecologia&gt;;
• FRIEDERICHS, K. (1958) A Definition of Ecology and some Thoughts About Basic Concepts”. Ecological Society of America. <URL:http://www.jstor.org/stable/1929981?
seq=1#page_scan_tab_contents>;
• Ecological Design. By Sim Van der Ryn, Stuart Cowan, Published by Island Press,
2007.<URL: https://books.google.pt/books? id=PEBs_eoIOdgC&printsec=frontcover&hl=ptPT&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v= onepage&q&f=false>.
SUSTENTABILIDADE
Sustentabilidade é uma característica ou condição de um processo ou de um sistema que permite a sua permanência, em certo nível, por um determinado prazo. Ultimamente, este conceito tornou-se um princípio segundo o qual o uso dos recursos naturais para a satisfação de necessidades presentes não pode comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras. Este novo princípio foi ampliado para a expressão “sustentabilidade no longo prazo”, um “longo prazo” de termo indefinido.
A sustentabilidade também pode ser definida como a capacidade de o ser humano interagir com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras. O conceito de sustentabilidade é complexo, pois atende a um conjunto de variáveis interdependentes, mas podemos dizer que deve ter a capacidade de integrar as questões sociais, energéticas, económicas e ambientais.
Vídeo: https://www.ted.com/playlists/28/sustainability_by_design
Projectos/práctica:
http://csds.pratt.edu/resource-center/the-four-dots-csds-guide-to-understanding- sustainability/;
http://inhabitat.com/tag/sustainable-design/ ;
http://www.theguardian.com/sustainable-business/sustainable-design ;
http://www.solidworks.com/sustainability/sustainable-design.htm.
Referências:
• Wikipédia (2015)Sustentabilidade <URL:https://pt.wikipedia.org/wiki/Sustentabilidade >.

 

DEONTOLOGIA
O termo Deontologia surge das palavras gregas “déon, déontos” que significa dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado do dever ou o conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um determinado grupo profissional. A deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício da uma profissão.
Existem inúmeros códigos de deontologia, sendo esta codificação da responsabilidade de associações ou ordens profissionais. Regra geral, os códigos deontológicos têm por base as grandes declarações universais e esforçam-se por traduzir o sentimento ético expresso nestas, adaptando-o, no entanto, às particularidades de cada país e de cada grupo profissional. Para além disso, estes códigos propõem sanções, segundo princípios e procedimentos explícitos, para os infractores do mesmo. Alguns códigos não apresentam funções normativas e vinculativas, oferecendo apenas uma função reguladora. A declaração dos princípios éticos dos psicólogos da Associação dos Psicólogos Portugueses, por exemplo, é exclusivamente um instrumento consultivo. Embora os códigos pretendam oferecer uma reserva moral ou uma garantia de conformidade com os Direitos Humanos, estes podem, por vezes, constituir um perigo de monopolização de uma determinada área ou grupo de questões, relativas a toda a sociedade, por um conjunto de profissionais.
PUBLICIDADE
“Por um lado, a publicidade vive numa frente de vanguarda, definida pela inovaça̧o das abordagens, pela atitude provocatória, inesperada e disruptiva. Usando a criatividade e a persuasão como ferramentas, a publicidade éfrequentemente acusada de manipulação e de usar métodos operacionais pouco escrupulosos ou eticamente questiona̧veis, em particular no campo da publicidade comportamental, publicidade  neuronal ou subliminar. Por outro lado, a própria ecologia mediática procura constantemente novos equilíbrios e uma nova estruturação, envolvendo a redistribuição e recolocação de limites e fronteiras à medida que as inovações tecnológicas nos media e as consequentes novas utilizações dos velhos e novos media, vão sendo implementadas no quotidiano, estabelecendo assim um campo permanentemente renovado de áreas semi-obscuras em termos de regulação: a internet, os novos media, a dinâmica espaço público vs privado, a monitorização comportamental, com ou sem consentimento, para efeitos publicitários, etc. “ MELO e SOUSA

 

Fig. 2) Exemplo(s) de publicidade enganosa.
Referências:
• Psicologia.pt (2015)Ética e Deontologia <URL: http://www.psicologia.pt/profissional/etica/&gt;;
• MELO, Ana e SOUSA, Helena Ética e Regulação na Publicidade: percepções do campo profissional. Universidade do Minho.

Ética

Etimologia:

Há duas palavras gregas de onde se crê que deriva a Ética. São elas êthos e éthos. A primeira- êthos- designa o lugar onde habita um ser (a toca do animal, a casa do homem); êthos é o espaço próprio, o ambiente familiar a um determinado ser. A segunda- éthos–  designa o modo habitual de um ser se manifestar e por isso se pode traduzir por hábito, costume (do latim mores, de onde deriva a Moral). Como união das duas proveniências etimológicas, a ética aparece-nos como a tentativa de procurar o verdadeiro lugar do homem (onde está o humano), como esforço de criação de um mundo verdadeiramente humano, como tarefa de determinar qual o autêntico modo humano de ser.
Diferencia-se da moral, pois, enquanto esta se fundamenta na obediência a costumes e hábitos recebidos, a ética, ao contrário, procura fundamentar as acções morais exclusivamente pela razão. Relaciona-se com a retórica sendo um modo de persuasão utilizado por Aristóteles.

Autores de referência:

Aristóteles, Immanuel Kant, Stuart  Mill, Jean-Paul Sartre.
“Todo o projecto, por mais individual que seja, tem um valor universal. Qualquer projecto, mesmo o de um chinês, do indiano ou do negro pode ser compreendido por um europeu (…) Há uma universalidade de todo o projecto no sentido de que todo o projecto é compreensível para todo o homem. O que não significa de modo algum que este projecto defina o homem de uma vez para sempre, mas sim que ele pode ser reconhecido. (…) O homem encontra-se numa situação organizada, em que ele próprio está implicado, implica pela sua escolha a humanidade inteira, e não pode evitar escolher;(…)O homem faz-se; não está realizado logo de início, faz-se escolhendo a sua moral, e a pressão das circunstâncias é tal que não pode deixar de escolher uma (…)”
SARTRE, Jean-Paul O Existencialismo é um Humanismo, Presença, Lisboa, pp.251-264.
“(…) as coisas sérias são moralmente superiores às que fazem rir ou que são acompanhadas de entretenimentos, e que a actividade mais séria é sempre aquela da parte melhor de nós mesmos, isto é, a do homem duma moralidade mais elevada. Por conseguinte, a actividade do que é melhor é ela mesmo superior e mais apta a proporcionar a felicidade.(…)”
ARISTÓTELES, Ética a Nicómaco, x, 6-7, 1176 a-1178a.
“Os elementos do destino humano, no que respeita ao seu fim, podem reduzir-se a três classes:
1ª A disposição do homem, enquanto ser vivo, para a animalidade;
2ª A sua disposição para a humanidade, enquanto ser vivo e também racional;
3ª A sua disposição para a personalidade enquanto ser racional e também responsável. (…)
3. A disposição para a personalidade é a capacidade para experimentar o respeito da lei moral enquanto motivo por si suficiente do livre arbítrio. Esta capacidade para o simples respeito da lei moral, em nós, seria o sentimento moral que, em si, não constitui ainda um fim da disposição natural, a menos que seja um motivo para o livre arbítrio (…) Não é conveniente chamar disposição para a personalidade, à simples ideia da lei moral como o respeito que lhe anda associado; é a ideia da lei moral com o respeito que lhe anda associado; é a própria personalidade (a ideia de humanidade considerada dum modo absolutamente intelectual).”
KANT, La Religion dans les Limites de la Simple Raison, tr.fr., Vrin, Paris, 1972, pp. 45-48.

 

Conceito:

Disciplina tradicional da filosofia, também conhecida por filosofia moral , que enfrenta o problema de saber como podemos viver.

Sub-categorias/ palavras associadas:

-Valor; Utilidade; Moral; Virtude; Vício; Dilema; Princípio; Ideal.

Ética no design

“… design as a practice that can transform human experience and understanding, expanding its role beyond stylistic enhancement. The tradicional roles of design, designer and designed object are redefined throughout a new throughout a new understanding of the relationship between the material and immaterial aspects of design where the product and the design process are embodiments of ideas, values and beliefs.(…)” (Pág.45)
“… design and ethics for a better part of the last descale has been the inherent power of design to change the world for the better. (…)” (Pág.48)
FISS, Karen Design and Ethics: Reflections on Practice, Routledge: Taylor & Francis Group, Londres, 2012.

 

Objectivos que o designer deve ter em conta para a criação: Pensa que o seu objecto vai melhorar o mundo? Para quem? Como? Porquê?

 

Projectos práticos:

solarball
SolarBall– Projecto desenvolvido com base numa esfera por onde entra a luz solar, evaporando a água suja. A condensação do vapor de água torna a água limpa.

 

danieleat
Churchill and Hitler, Daniel Eatock, 80 x 175 x 10 cm. – “Daniel considered these images a publicity stunt and put his finger in the wound in relation to digital image manipulation. These portraits point to a possible confusion in the perception of history. Hitler and Churchill are only represented as full-fledged mannequins years after their deaths. Although confronted at first sight both portraits are clear in their depiction. This new appearance of two historic, influential individuals, and their perfected execution creates, however, a new ethical approach regarding an advance in the use of digital media.” Kurt Geraerts, Elisa Platteau Galerie

guarana

Guaraná Power, Superflex, 2003. – “In 2003, SUPERFLEX initiated a collaboration with a guaraná farmers’ cooperative from Maués in the Brasilian Amazon in order to produce the Guaraná Power soft drink. The farmers have organised themselves in response to the activities of the multinational corporations XxXxx and XxxxxXx, a cartel whose monopoly on purchase of the raw material has driven the price paid for guaraná seeds down by 80% while the cost of their products to the consumer has risen.”

 

Projectos relacionados:

Make More, Waste Less: Five Energy-Saving Projects for a More Efficient Home
The Designer Acccord
The Living Principles for Design
Lovely as a Tree| More environmentally friendly graphic design, paper and print
Re-nourish| Design Sustainably
The National Association of Independent Writers and Editors| Code of Ethics

 

 

 

MANIFESTO: Se Queres Conhecer o Vilão, Põem-lhe o Design na Mão

manifesto

Elaborado por Maria Margarida Lopes\Liliana Assunção Cruz
Os provérbios populares são a forma mais simples de manifesto e crítica social em Portugal. O português tem por hábito criticar ou aconselhar através dos velhos ditados. É linguagem corrente, que choca e indiretamente faz com que as pessoas fiquem a pensar no assunto. São charadas que com poucas palavras dizem grandes verdades. Por isso acabamos por usar as tradicionais frases dos nossos avós para ilustrar o nosso ponto de vista. O designer é como um vilão, que por ser livre ou tentar sê-lo acaba por ser o vilão do consumismo e da ruptura com o design crítico e político.
  1. A arte é longa e o design é curto – Há várias formas artísticas de expressão. O design pode e deve englobar todas elas, ser mais do que função e estética. Pode apelar ao criticismo apesar de serem poucos, os designers, que o fazem. Por isso ele é curto. Porque não intervém o suficiente na sociedade, para a fazer questionar e pensar sobre os assuntos que o design aborda. A política, a sociedade, a tecnologia, a cultura, a arte…
  2. Pelo design se conhece o designer – Cada um interpreta, pensa, cria, desenvolve ideias e conceitos de forma diferente. Estar sujeito à critica faz parte do menu do dia. Existe o “bom design” e o “mau design”, aquilo que vemos reflete a pessoa que o criou e a forma como ela pensou. O Steve Jobs foi um grande idealizador e revolucionário da função aliada à interação com o utilizador e à estética, dos produtos da Apple.
  3. Designer que não arrisca, não petisca – Não devemos ter medo de falhar. Porque falhar é aprender. O sucesso vem de quem tenta, comete erros e os soluciona. Sem tentativas falhadas não há vitória, nem tão pouco evolução.
  4. Vocês contam um conto, nós acrescentamos um ponto – A criatividade é inerente a um designer. Ele ilustra, constrói visões, estabelece ligações improváveis, foge ao comum e familiar. A interpretação e a combinação com a imaginação fazem que cada história, cada contexto seja diferente e possa ser contado de forma diferente. Porque há mil e uma formas de contar uma história. Acrescentar novas perspectivas é a nossa base para fugir ao ordinário.
  5. A atividade faz mais fortuna que a prudência – A evolução do design não se fez a ser prudente. Os designers não foram prudentes. Bem pelo contrário. Questionar e estar ativo levou pessoas a desenvolver, ideias, protótipos, contextos, experiências interativas, a analisar funcionalidades e a base das interações entre humano e máquina. Em 40 anos o design do telemóvel mudou, as suas funções foram adaptadas, a forma como o usamos mudou por completo, e isto era possível sem o design?
  6. A necessidade é a Mãe do design – O design útil, por vezes fútil graças à sociedade consumista. Porém o designer é altruísta, preocupa-se com as necessidades da sociedade geral. Ela precisa e o designer procura soluções e apresenta resultados. E se estes não foram suficientes, ele adapta-se às necessidades que a sociedade lhe impõe novamente.
  7. Nem tudo o que é design é ouro – Enquanto profissionais temos de saber criticar-nos a nós primeiro antes de o fazer com os nossos colegas de profissão. O designer deve refletir sobre a função, a comunicação, a estética equitativamente, evitando suprimir uma ou mais premissas em função da ou das restantes. Por isso é que nem tudo é ouro, porque há design sem função, há design sem estética e design sem comunicar.
  8. Patrão fora, criatividade na loja – Há pouco espaço para criar com liberdade incondicional. Somos limitados ao que o mercado nos oferece, às vontades nem sempre conscientes do cliente. O patrão é aquele que impõe, que restringe no espaço, no tempo, no desenvolvimento de conceitos. Aquele que nos deixa ter asas mas não nos deixa voar.
  9. Em tempo de crise, qualquer buraco é trincheira – Face à conjuntura económica, não só o designer, mas os criativos em geral são forçados a aceitar “trabalhinhos” para subsistir. Sujeitam-se ao freelance, porque ninguém lhes quer dar um contrato de trabalho com um salário equivalente às suas competências. Sujeitam-se a estágios que não os vão levar a lado nenhum. Os trabalhos que desenvolvem são iguais todos os dias, eles não crescem e não aprendem. A sua evolução fica condicionada. E só há duas saídas: ou continuam a fazer o que fazem, ou rompem com esta ideologia e fazem-se à vida sem saberem bem como o fazer.
  10. Falar é fácil, fazer é que é difícil– Não é não. Por isso arrisquem, acrescentem pontos, sejam imprudentes e irresponsáveis criativamente. Sejam diferentes e pensem por vocês. Somos criadores de um futuro, perpetuadores da ideia e do conceito, da função e do belo. Temos o dever de questionar, de pensar e solucionar problemas sem fim. Porque necessidades há sempre, dúvidas, mesmo que materialistas, há sempre, os media estarão continuamente a acompanhar a humanidade assim como a tecnologia, por isso o design também.