MANIFESTO: Se Queres Conhecer o Vilão, Põem-lhe o Design na Mão

manifesto

Elaborado por Maria Margarida Lopes\Liliana Assunção Cruz
Os provérbios populares são a forma mais simples de manifesto e crítica social em Portugal. O português tem por hábito criticar ou aconselhar através dos velhos ditados. É linguagem corrente, que choca e indiretamente faz com que as pessoas fiquem a pensar no assunto. São charadas que com poucas palavras dizem grandes verdades. Por isso acabamos por usar as tradicionais frases dos nossos avós para ilustrar o nosso ponto de vista. O designer é como um vilão, que por ser livre ou tentar sê-lo acaba por ser o vilão do consumismo e da ruptura com o design crítico e político.
  1. A arte é longa e o design é curto – Há várias formas artísticas de expressão. O design pode e deve englobar todas elas, ser mais do que função e estética. Pode apelar ao criticismo apesar de serem poucos, os designers, que o fazem. Por isso ele é curto. Porque não intervém o suficiente na sociedade, para a fazer questionar e pensar sobre os assuntos que o design aborda. A política, a sociedade, a tecnologia, a cultura, a arte…
  2. Pelo design se conhece o designer – Cada um interpreta, pensa, cria, desenvolve ideias e conceitos de forma diferente. Estar sujeito à critica faz parte do menu do dia. Existe o “bom design” e o “mau design”, aquilo que vemos reflete a pessoa que o criou e a forma como ela pensou. O Steve Jobs foi um grande idealizador e revolucionário da função aliada à interação com o utilizador e à estética, dos produtos da Apple.
  3. Designer que não arrisca, não petisca – Não devemos ter medo de falhar. Porque falhar é aprender. O sucesso vem de quem tenta, comete erros e os soluciona. Sem tentativas falhadas não há vitória, nem tão pouco evolução.
  4. Vocês contam um conto, nós acrescentamos um ponto – A criatividade é inerente a um designer. Ele ilustra, constrói visões, estabelece ligações improváveis, foge ao comum e familiar. A interpretação e a combinação com a imaginação fazem que cada história, cada contexto seja diferente e possa ser contado de forma diferente. Porque há mil e uma formas de contar uma história. Acrescentar novas perspectivas é a nossa base para fugir ao ordinário.
  5. A atividade faz mais fortuna que a prudência – A evolução do design não se fez a ser prudente. Os designers não foram prudentes. Bem pelo contrário. Questionar e estar ativo levou pessoas a desenvolver, ideias, protótipos, contextos, experiências interativas, a analisar funcionalidades e a base das interações entre humano e máquina. Em 40 anos o design do telemóvel mudou, as suas funções foram adaptadas, a forma como o usamos mudou por completo, e isto era possível sem o design?
  6. A necessidade é a Mãe do design – O design útil, por vezes fútil graças à sociedade consumista. Porém o designer é altruísta, preocupa-se com as necessidades da sociedade geral. Ela precisa e o designer procura soluções e apresenta resultados. E se estes não foram suficientes, ele adapta-se às necessidades que a sociedade lhe impõe novamente.
  7. Nem tudo o que é design é ouro – Enquanto profissionais temos de saber criticar-nos a nós primeiro antes de o fazer com os nossos colegas de profissão. O designer deve refletir sobre a função, a comunicação, a estética equitativamente, evitando suprimir uma ou mais premissas em função da ou das restantes. Por isso é que nem tudo é ouro, porque há design sem função, há design sem estética e design sem comunicar.
  8. Patrão fora, criatividade na loja – Há pouco espaço para criar com liberdade incondicional. Somos limitados ao que o mercado nos oferece, às vontades nem sempre conscientes do cliente. O patrão é aquele que impõe, que restringe no espaço, no tempo, no desenvolvimento de conceitos. Aquele que nos deixa ter asas mas não nos deixa voar.
  9. Em tempo de crise, qualquer buraco é trincheira – Face à conjuntura económica, não só o designer, mas os criativos em geral são forçados a aceitar “trabalhinhos” para subsistir. Sujeitam-se ao freelance, porque ninguém lhes quer dar um contrato de trabalho com um salário equivalente às suas competências. Sujeitam-se a estágios que não os vão levar a lado nenhum. Os trabalhos que desenvolvem são iguais todos os dias, eles não crescem e não aprendem. A sua evolução fica condicionada. E só há duas saídas: ou continuam a fazer o que fazem, ou rompem com esta ideologia e fazem-se à vida sem saberem bem como o fazer.
  10. Falar é fácil, fazer é que é difícil– Não é não. Por isso arrisquem, acrescentem pontos, sejam imprudentes e irresponsáveis criativamente. Sejam diferentes e pensem por vocês. Somos criadores de um futuro, perpetuadores da ideia e do conceito, da função e do belo. Temos o dever de questionar, de pensar e solucionar problemas sem fim. Porque necessidades há sempre, dúvidas, mesmo que materialistas, há sempre, os media estarão continuamente a acompanhar a humanidade assim como a tecnologia, por isso o design também.

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